para o wander wildner musicar...

britney

ontem à noite

sonhei com você

de salto alto

no nosso soirée

desengonçada

sorrindo à toa

perna cruzada

no vai-e-vém

 

te amo, britney

te quero, amor

fazendo bico

negando a dor

 

ontem à noite

não me disse "não"

peito à mostra

uma taça na mão

no nosso ninho

você provoca o calor

selvagemente

deusa do ofurô

 

te amo, britney

te quero, amor

até na chuva

me abre a flor



 Escrito por alexandre mercki às 19h01
[] [envie esta mensagem]



A entrevista

No bar mais descolado da região, um artista de renome e um repórter.

_ Tudo bem?
_ Tudo.
_ Selton, não sei se sua assessora lhe explicou...
_ É uma página de bares, né?
_ Faremos uma entrevista descontraída. Você conta histórias, revela onde curte sentar para beber. O prato preferido. Esse tipo de coisa.
_ Legal.
_ Bebe alguma coisa?
_ Uma cervejinha?
_ Garçom, uma cerveja aqui, por favor. Dois copos baixos e um amendoim para acompanhar... Selton, primeira pergunta.
_ Manda.
_ Qual é que é a sua com a minha ex-namorada?
_ Como?

Seção nova no jornal. Freqüentador de boteco está na moda. Primeira entrevista.

_ Minha ex-namorada. Vocês dois. Já não basta de mulher ao seu redor, Selton? Precisa avançar na dos outros?
_ Não tenho a menor idéia do que você esteja falando.
_ Você vai querer me convencer de que não conhece a minha ex-namorada?
_ Amigo, que loucura é essa? Quem é a sua ex-namorada?
_ Há dois anos, aqui mesmo nesse bar. A mesma cerveja. O caldinho de feijão, pastel.
_ Eu sempre peço caldinho de feijão.

Quem o Selton pensa que é? Um sujeito honrado, cristão, não deve ter sua mulher exposta a um camarada como aquele. Alguém de um jeito no Selton.

_ Quem disse isso?
_ Disse o quê, Selton?
_ Interrompendo a gente de cinco em cinco minutos.
_ Agora há pouco? É o narrador.
_ Que narrador?
_ Tem contas a acertar com o senhor. Você atacou a ex dele também.
_ Eu quero sair daqui.
_ A entrevista só começou.
_ Não fico nem mais um minuto nesse lugar.

Não só mais um minuto, mas três dias. Não havia jeito de arredar o pé. Estava preso.

_ Alguém me salve.
_ Selton, você está detido temporariamente por sedução de ex-namoradas alheias.
_ Isso é um absurdo.
_ Você está dentro de um conto. De um caminho sem volta. De um abismo sem fim. De um labirinto sem saída. Está à mercê da experimentação.
_ E o autor? Alguém convoque o autor. Todo conto responde a um autor.
_ Não esse.

A ex do autor. O Selton, a priori, também teve um caso com a ex do autor. Camarada salafrário. É artista e, por isso, dá-se ao direito de avançar em quem bem entende.

_ Ainda não entendi a diferença do narrador para o autor.
_ Nem mais uma palavra, Selton. Você só termina essa entrevista quando me explicar direitinho o que fez com a minha namorada.

E com a minha.

_ E com a do narrador também. E a do autor. E todas as outras, seu maníaco de ex-namoradas.
_ Eu não sei quem é sua ex-namorada. Eu não sei nem quem é você.
_ Eu sou o entrevistador. O traído. A vítima dessa sórdida história de paixão e sangue.
_ Sangue?
_ Se o autor quiser, você sangra.
_ Sangue não, eu tenho horror a sangue.
_ Eu sei. O narrador me contou.

A aversão a sangue vinha desde pequeno. Sangue e injeção. Sempre teve problema em doar plaquetas, por exemplo. Além do medo, tem rinite, é alérgico a marisco e não suporta vinho nacional. Em suma, um fresco.

_ Um fresco que pegou a minha ex-namorada. Anda, meliante, conta o que você fez com ela. Isso aqui é uma entrevista.
_ Pela última vez, eu não sei que ex-namoradas são essas.
_ Não se faça de idiota, Selton.
_ E, se são ex-namoradas, o que vocês têm com o que elas fazem depois de virar ex?
_ Eu nunca fui com a sua cara e agora eu sei a razão. O senhor é desses atores que adoram cantar de galo com a ex dos outros. Quer oferecer o ombro. Eu vou te matar.
_ Tudo bem. Eu sou culpado.
_ Eu sabia. Meu faro de repórter não falha.
_ Como assim? Quem me fez dizer que eu sou culpado?
_ O autor. Ninguém escapa do conto.
_ Loucos.
_ Próxima pergunta.

Há projetos que nascem vitoriosos. A iniciativa, qualquer que seja, agrada a quem lê. Não à toa, a entrevista com o Selton rendeu semanas de repercussão. O entrevistado se complicou, é verdade, mas a seção emplacou. O Selton, quando leu a reportagem, já estava separado. Triste. Não adiantou tentar argumentar com a mulher. Contra os fatos, não resta dúvida. Se saiu no jornal, soava definitivo. Nem a famosa publicação tinha como negar sua parte. Integrava o conto, esse canalha. Selton, por trauma, chegou a dar um tempo no bar. Que da história não mais saiu. Da crônica implacável não se salvou ninguém. Até mesmo o autor não mais consegue viver sem mentir.

 Escrito por alexandre mercki às 05h27
[] [envie esta mensagem]



Silêncio

Sendo o amor eterno enquanto dura, poderia sê-lo como o dinheiro? Se for, acaba rápido e não convém se apaixonar. Se o é como remédio, dura um mês, dois no máximo. Amor com prazo de validade. Não, ainda não interessa se apaixonar. Mas poderia ser como o silêncio. Em algum lugar longe de tudo e de todos, um retiro... Lá, por exemplo, o silêncio não há de acabar nunca. Amar, nesse caso, vale de alguma coisa...

_ Gostou da surpresa?
_ Legal.
_ Como assim, legal?
_ Curti.
_ Não curtiu não. Estou vendo que você não curtiu porcaria nenhuma.
_ Eu gostei, Pedro Henrique. Estou aqui, não estou?
_ Ai, meu deus, você detestou esse lugar.
_ Pedro Henrique, respira. Ventila.
_ Eu faço tudo por você e o que recebo em troca? Você detesta esta casa.
_ Mas eu disse que gostei daqui. O campo me faz bem.
_ Ana Sofia, eu sou hipertenso. Sabia que eu posso esquecer de tomar meu remédio da pressão por causa dessa conversa?
_ Não dramatiza. Você sempre lembra desse maldito remédio. Faz dois meses que o médico mandou espaçar a dose e você toma essa porcaria todo o santo dia. Você se esquece de mim, mas não esquece esse remédio.
_ Eu perguntei o que você achava de passar uns dias no campo, sem ninguém por perto, só nós dois, o vento, o fogão à lenha...
_ Eu detesto fogão à lenha. Prefiro um microondas.

O silêncio é eterno. Mesmo que, muitas vezes, ele deixe o seu reinado de lado e ceda lugar ao grito...

_ Eu te mato, Pedro Henrique. Essa casa não tem luz elétrica.
_ E não é perfeito? A lenha, o fogo, o cheiro de rústico.
_ Eu não suporto o rústico. Eu sou míope, Pedro Henrique. Já bati a testa na parede três vezes. Já devo ter traumatismo.
_ A cultura e a civilização... elas que se danem.
_ Não cita Gil, não fala desse homem enquanto eu estiver brava com você.
_ Você me disse que gostava de velas. Por que mudou de repente? Já sei, você não gosta mais de mim. O nosso amor, Ana Sofia. O nosso amor e a Carolina morreram.
_ Quem é essa vaca?
_ Nossa filha. Aquela que nunca nasceu. Foi embora com a metáfora. A mesma que assassinaste com um sorriso vil nos lábios. Tu, mulher, mataste a metáfora como quem rompe a vida, como quem mancha o céu, como quem estraga a cortina...
_ Pirou...
_ A cortina, Ana Sofia. Você está encostando o seu pé sujo na cortina.
_ Não estou encostando nada.
_ Você está acabando com a cortina. Fica de meia por favor. Ou senta direito nesse sofá.
_ Essa casa não é sua, seu neurótico. Dane-se a cortina.
_ Não manda a cortina se danar. Nem mais um gesto pelo bem dessa relação.
_ Eu não acredito...
_ Essa sua atitude agressiva mostra que eu, você e a ordem não podemos viver juntos. Você detesta a organização. Preserve o anticaos.
_ Que anticaos é esse? Eu só quero tomar um banho quente sem precisar pegar uma pneumonia. Eu tenho frio só de pensar naquele banheiro escuro.
_ Acende uma vela. Você adorava vela.
_ A vela não vai resolver o meu problema neste instante.
_ Está vendo? O nosso amor acabou e eu estava certo desde o começo.
_ Eu ainda gosto de vela. Mas prefiro luz elétrica quando eu tomo banho.
_ Eu sabia que nosso amor acabaria assim. Você, impiedosa e contra a natureza. Eu, morto em frangalhos, depois de um derrame e de um ataque cardíaco fatal vendo você sujar a cortina. Tira o pé desse sofá. Ana Sofia, você quer acabar comigo?

O surreal é proposital. Ele fica só esperando você se distrair. O non sense adora casal. Se a desordem é juntada com a paixão, o casamento se diverte com a profusão. Tudo fica extremado. Freud tentou enquadrar o homem e se esqueceu da condição. Nada explica a loucura de se aproximar. Nada entende esse aprofundar. O desejo que vira amor. O incompreendido. O tão evitado e tão perseguido. Real. Propositalmente surreal.

_ Surreal não existe no dicionário de bolso. O verbete não consta. De surrar pula pra surriada.
_ Não muda de assunto, Ana Sofia.
_ Significa “sobre real”, virou uma corruptela. Mas você não acha isso no dicionário de bolso, que é pedido na escola. Ou seja, o sonho é censurado para as crianças.
_ Nós estamos no meio de uma conversa. Foco em mim.
_ Tudo no fundo é pra manter o foco em você.
_ Eu só quero aparar as arestas.
_ Aresta no dicionário de bolso é coisa sem importância.
_ O “Houaiss” admite que o uso se estenda para personalidades difíceis e para relacionamentos em conflito.
_ É a décima segunda possibilidade de uso.
_ Mas não é a última, Ana Sofia. Se está lá, eu posso usar.
_ Não quero mais discutir esse assunto.
_ Eu também não. Chega de aresta, de surrealismo. Vamos voltar a falar da gente e de todo esse ódio que você sente por essa casa que eu custei tanto a encontrar.

Antes do amor, há apenas uma possibilidade de ilusão, apenas o medo de quebrar a cara de novo. Qualquer coisa vale mais que a união. A idéia de depender emocionalmente de alguém é radicalmente morta no último adeus. Se a gente passa a vida se despedindo, por que arrumar mais um motivo?

_ Eu não gosto de como você enrola seus textos.
_ Como se não bastasse ter detestado a casa, você resolveu me dar o golpe final.
_ Falta paciência. Lembra aquele poema sobre a gente?
_ O que tem?
_ Você escreveu “E os dois viraram um só coração”. Você sacrificou a rima à toa.
_ Você chorou lendo aquele poema.
_ De nervoso. Não sabia como disfarçar.
_ Nunca mais quero te ver na minha vida.
_ Você me pediu pra ser sincera.
_ Sobre a casa, Ana Sofia, sobre a casa. Não sobre o meu texto.
_ Prefere que eu minta?
_ Se for isso ou acabar com a minha arte...
_ Arte, se usarmos a palavra em seu conceito mais amplo. Lá pelo décimo oitavo significado.
_ Não no dicionário de bolso.

A tormenta é incessante, mas o silêncio resiste. Tal como ele, o amor não morrerá jamais. Que venha o dilúvio, as sete pragas e a razão, nada abalará o apaixonar. Pode até sair de moda, mas aqui ficará. Contra a vontade dos filósofos.

_ Você passa dez minutos em silêncio e, quando se manifesta, é para me criticar.
_ Não é crítica.
_ Você me destesta.
_ Não, eu te amo.
_ Mentira. Você está odiando tudo neste feriado. E eu faço parte deste feriado. Logo, está subentendido que você me detesta também..
_ Não me enlouquece, Pedro Henrique.
_ Eu não disse? Você acabou de dizer que não gosta mais de mim. Ana Sofia, vou te dizer uma coisa: amar é enlouquecer com o próximo sem reclamar.
_ Preciso ligar pro meu analista. Eu só vou continuar essa conversa com o meu terapeuta do outro lado da linha.

Se no fim tudo acaba em terapia, deveria o casamento ser celebrado por um psicólogo, e não por um ícone religioso qualquer? E se ele estiver com a agenda lotada? Se cancelar a consulta, o que fazer com o amor? Como apelar para o silêncio sem se complicar?

_ Faz três dias que você não fala comigo, Pedro Henrique.
_ E ficarei mais três. Maldito feriado prolongado.

Algumas religiões recomendam o mantra como forma de acalmar a mente. O mesmo mantra que arruína o silêncio. É preciso enganar a mente para conquistar o silêncio. Tão difícil quanto amar é se aquietar. O mais profundo silêncio é fruto da repetição. O que nos leva a crer que a insistência faz o homem apaixonado. Mil e uma tentativas em busca do silêncio eterno. Sem desanimar. Correndo o risco de soar clichê.



Alexandre Mercki – (6.out.04)



 Escrito por alexandre mercki às 05h56
[] [envie esta mensagem]



de como é inconstante a paixão

Duas da manhã. Vinho tinto suave (ela não bebe outra coisa), comidinha, bossa, sexo casual (eles adoram se fingir desconhecidos), beijos, carinhos, romance no ar. Apaixonado, ele respira fundo, mata a bebida de seu copo, acende um cigarro e solta à queima-roupa...

_ Querida, eu te amo.

A música pára. Acabou a luz. No breu, ele tenta encontrá-la. Envolve-a, muda, em seus braços. Sem pensar nas consequências, murmura...

_ Querida, eu disse que te amo.

Trovão. Chuva forte. Tempestade. "O fim está próximo", diriam os mais religiosos. No susto, quase cai da cama. Em um misto de ousadia e descaramento, ele insiste. Sempre foi meio Poliana...

_ Querida, fala alguma coisa. Eu disse que te amo.
_ Toma, benhê, come uma torradinha que passa.
_ Torradinha?
_ Para ver se você volta ao normal...
_ Benhê?
_ É um carinho...
_ Como assim voltar ao normal?

Atônito, apela para a vodka. Música, sim, precisa de música. Lembra de um seriado, liga o som no máximo e dança feito bobo. Por que foi dizer aquilo, por quê? E que resposta foi aquela?

_ Benhê... traz mais vinho.

Morrer, definitivamente, tornou-se a opção do momento. Pensa alto...

_ Vou mandar a conta da análise para você...

No dia seguinte. Na analista. Na mesma hora de sempre...

_ Descobri que eu estou amando o meu namorado.
_ Desculpe, tava pensando em outra coisa. O que foi que você disse mesmo?
_ Eu descobri que eu amo o meu namorado...
_ Descobriu isso quando?
_ Ontem, depois que ele disse que me amava e eu mandei ele comer uma torrada.
_ E foi assim, em uma espécie de estalo?
_ Mais ou menos... Eu acordei pensando nisso... É grave?

Alguém sabe o que fazer em uma hora como essa? Nem todo o Freud do mundo consegue dar jeito em gente que aparece dizendo estar amando. O mal do século 19. O freio às avessas do século 20. A fuga do século 21. O amor, esse insensível...

_ Você tem bebido ultimamente? Tem usado drogas?
_ Fumei um Malboro ontem.
_ E foi antes ou depois do cigarro que você pensou estar amando o seu namorado?
_ Durante... Olhei para ele e percebi que não posso viver sem aquele cara.
_ Não fala assim, não. Não fala assim, que eu mando te internar.
_ Mas é amor, eu sei que é amor.
_ As causas da dependência afetiva são múltiplas. Até ressaca gera esse tipo de sentimento. O amor não tem nada com isso. O amor não é filme.
_ Jura?
_ Se você ama o seu namorado, não ame o seu namorado. Isso pode ser o seu fim.

Não se ama em vão. Amar tem seu preço. É uma falsa necessidade, fruto do capitalismo. Você não precisa de amor, só acordou com mais preguiça do que ontem. Quer amar alguma coisa, compre um celular...

_ Está decidido. Não amo mais porra nenhuma. Não quero nem saber...
_ Eu amo o meu copo de cerveja. Eu amo a Ambev que relançou a Original...
_ To falando sério, cara. Nunca mais repito isso para ninguém.
_ O que faz muito bem.... Onde já se viu sair falando "eu te amo" a torto e a direito. É preciso respeitar as leis da vida: taxista não diz "obrigado", puta não beija na boca e homem não ama a namorada.
_ Eu sei...
_ Ame a amiga dela, platonicamente. Ame sua ex, que você nunca mais vai ver na vida. Ame a Daniella Cicarelli. Ame as plantas... Sua namorada, jamais...

Esqueça os poetas. Amar é uma merda...

_ O que é isso agora?
_ Estou jogando esses livros fora.
_ Ficou louco, benhê?
_ Benhê é o caralho...
_ Grosso...
_ Legal, já está dando certo...
_ Deixa o meu Fernando Pessoa em paz.
_ Queima, maldito, queima...
_ Eu preciso confessar uma coisa. Eu também te amo, sabia? Fui até na analista por causa disso...
_ Não me ama não.
_ Amo. Quero você o resto da minha vida.
_ Não repita isso nem de brincadeira. Algum vizinho pode ouvir.
_ Que ouçam, eu te amo.
_ Não, não é você quem me ama. Sou eu quem não bebeu demais.

Na dúvida, compre um gibi. Evite a palavra. Não se comprometa. Amar hoje em dia é um perigo. Quer se casar, ter filhos, um chalé no interior. Desteste a sua paixão... Em terra de cego, quem entende?



 Escrito por alexandre mercki às 00h36
[] [envie esta mensagem]



de como é frágil o amor

Se eu tivesse alguma moral e me fosse perguntado como eu definiria nossa geração em uma frase de efeito, diria, sem pestanejar: estamos na era do teste de revista. Nunca o modo como você palita os dentes, faz xixi ou segura o copo determinou de forma tão definitiva a sua personalidade. Um amigo meu, outro dia, abriu a porta do carro para a mulher e...

_ Cafajeste...
_ Como?
_ Pensa que eu não sei que você só me vê como um instrumento para a sua realização pessoal, baseada apenas em emoções egoístas e desejos vis.
_ Ai, meu deus... entrou na TPM de novo... Quer Prozac? Valium? Maconha? Fiz uma caixinha de emergência anti-TPM.
_ Que comentário mais típico de você...
_ Eu falei para você não beber coca diet no almoço... olha só no que deu... ficou louca.
_ Louca? Ao contrário do que um egocêntrico da sua laia pensa, eu leio, meu amor... Sei exatamente do que estou falando. Você é um canalha, da pior espécie de canalha.
_ Canalha? O que foi que eu te fiz?
_ Está tudo na revista. Tem um teste que nos ajuda a identificar um pachola.
_ Um o quê? Não sei o que é pachola.
_ Além de presunçoso, é burro...

Alguém sabia que, ao optar pelo sorvete de chocolate em uma ida à sorveteria com sua namorada, você está se mostrando dominador e entediável segundo uma não sei quem americana? Um perigo. O simples fato de não estar afim de um sorvete de pistache naquele dia pode determinar o fim de seus filhos e netos para sempre...

_ Bem que minha mãe avisou...
_ Avisou o quê, mulher? O que eu te fiz?
_ O modo como você abriu a porta do carro para mim. Te denunciou.
_ Eu abri com a mão.
_ Com a mão esquerda, seu crápula. Como todos os homens que não valem nada...
_ Como é que é?
_ Eu já devia imaginar...
_ Qual o problema de abrir a porta do carro com a mão esquerda?
_ Qual o problema? De acordo com uma arqueóloga egípcia que estudou o comportamento de gorilas simeses, o uso da mão esquerda na frente de uma mulher revela imaturidade, infidelidade, mistério e possível herpes genital...
_ Ai, meu Deus...
_ Cachorro...
_ Eu só abri a porta com a mão esquerda porque a direita estava ocupada.
_ Ocupada, com o quê, seu ordinário?
_ Segurando a sua mão, sua insensível.
_ Isso não é desculpa, saia já desse carro.
_ O carro é meu.
_ Cretino...

Não é fácil namorar enquanto jornalistas sacanas publicam semanalmente toneladas de testes que te avaliam até pela cor da sua cueca. Em tempos de simulacro, convém fazer amigas na editora Abril.



 Escrito por alexandre mercki às 16h12
[] [envie esta mensagem]



de como a patuléia é mais feliz que a informação

O processo racional e filosófico entre casais é mais comum do que você pensa. A questão intelectual aplicada ao relacionamento vem produzindo uma verdadeira revolução na crise dos sete anos. Impulsionados pela busca da mulher perfeita, teóricos e praticantes já apontam os primeiros números desse novo tipo de mulher, que não namora, mas, sabe-se lá por que razão, aceitou se casar com você...

_ Precisamos conversar.
_ Não fui eu.
_ Não foi você o quê?
_ Não sei... É você que quer conversar...
_ É sobre o Levi-Strauss...
_ O da calça?
_ Sabe que ele defende umas idéias...
_ Defende?
_ Regras implícitas da sociedade...

(silêncio)

_ O Levi-Strauss...
_ Ainda esse papo?
_ É por causa das regras implícitas...
_ Regras?
_ Queria que você entendesse...
_ Entender o quê?
_ A regra da proibição do incesto...
_ O incesto foi proibido pelo Levi-Strauss?
_ Mais ou menos...

Síndrome do pânico, você pensa. A mulher ficou completamente maluca. Sinal dos tempos. Apovorado, você culpa a comida da empregada. Com medo, você sugere um valium...

_ Tudo bem o Levi-Strauss para você?
_ Claro, se ele proibiu o incesto, está proibido... Vou desmarcar o cinema com a minha prima.
_ Não, pode ir... eu vou sair também. Na verdade era isso que eu queria conversar com você... Eu quero sair no sábado...
_ Com o Levi-Strauss?
_ Não, com o meu amigo.
_ Parente do Levi-Strauss?
_ Esquece o Levi-Strauss...
_ Não posso. Não dá para esquecer o Levi-Strauss. Ele nem me conhece e já está metendo a colher na nossa relação. Eu odeio o Levi-Strauss...

Sim, você está diante de uma intelectual. Pior, diante de uma intelectual que leu Levi-Strauss em algum momento de sua vida... Some todos os ingleses ácidos, acrescente Bukowski, tempere com as feministas... É pior, é muito pior. Na dúvida, não adianta correr, fingir que engasgou... Nem toda a pose e a irônia do mundo superarão um estudo antropológico...

_ O Levi-Strauss sugeriu há alguns bons anos que você saia de casa no sábado?
_ Não exatamente.
_ E onde entra o seu amigo?
_ É que vai ter uma festa e eu não posso levar...
_ O seu amigo?
_ Não, você.
_ Como assim?
_ A culpa não é minha... foi o Levi-Strauss... é a regra da proibição...

A regra, claro, como você não pensou nisso? O cara inventou uma regra enquanto você passava tempo demais ouvindo Mutantes. Tivesse lido a Bíblia, talvez conseguisse rebater com alguma coisa na linha culpa cristã...

_ Deixa eu ver se entendi... o cara escreve uma bobagem qualquer, impulsionado talvez pela falta de sexo, a coisa toda é documentada e sai em livro e isso tudo, editado, serve de base de estudos para uma traição antropológica?
_ Como? Me perdi na falta de sexo...
_ O Levi-Strauss está patrocinando a sacanagem, é isso?
_ Claro que não. É só uma regra implícita da socidedade...
_ Que implicita que eu devo ser conivente com esse tipo de coisa?
_ Não, que diz que eu não posso te levar na balada, porque ninguém vai levar ninguém na balada.

Atônito, você se apega a Vinícius e recita "Para viver um grande amor". Em vão... A nova ordem mundial do chifre é fundamentado na enciclopédia e nos elevou a uma nova cetagoria de cidadãos. Em dias como os de hoje, até a famosa escapadinha tem tese defendida na banca da USP e vai ser usada contra você na mesa de jantar...

_ Bom... pelo menos eu sei que não estamos sozinhos...
_ Quem não estamos?
_ Os cornos.
_ Você não é corno.
_ Quem disse isso? O Levi-Strauss?
_ Não... ele só formulou a regra que te obriga a me ceder para os grupos sociais como forma de inter-relacionamento, até então negado pela sociologia e...
_ Ai meu coração... Eu mato o Levi-Strauss...

Tudo na vida tem seu preço. Com as intelectuais não é diferente... No bar, em vez do nome, pergunte o que ela leu e fuja das fãs de Reich... Se o caso é de erudição explícita, nem o patuá conserta. Em caso de amor, todo o cuidado é pouco...



 Escrito por alexandre mercki às 11h15
[] [envie esta mensagem]



SURTO

Surto: 1. Ancorado. Sm. 2. Vôo alto. 3. Arranco, impulso. 4. Aparecimento repentino.

Mais uma taça de vinho. Faz duas horas que ele está naquela maldita bodega e nada acontece. Cadê o crime que lhe prometeram? Cadê aquele sussurro, quase afônico, que lhe convenceu a investigar aquele caso? Mais uma taça de vinho. Termina o maço de cigarros.

CORRE, TEM MEDO, FOGE, ESCUTA A VOZ DA RAZÃO. OUVE, NÃO LIGA, DORME, PENSA EM OUTRA COISA. TROCA A CAMISA, MASCA UM CHICLETE, ENTRA NA FILA. EVITA O OLHAR.

Abre um chocolate e joga fora. Cadê a porra do assalto a banco? Há meses lê sobre chacinas, extorsão, crime de colarinho branco. Alugou um apartamento no bairro mais rico. Gastou uma fortuna. Sai do trabalho mais cedo todos os dias. Procura, provoca, humilha, esnoba. Nada acontece.

_ Não quero assinar jornal nenhum.
_ O senhor é um homem culto, merece uma publicação de qualidade. Na promoção, com o clube de mega vantagens, o senhor tem desconto em cinema, cabeleireiro, academia, locadora de carros e massagistas.
_ Uma garrafa de whisky.
_ Como?
_ Uma garrafa de whisky por mês, em um puteiro à minha escolha.
_ Isso é impossível.
_ Vantagem pra mim é comer puta com desconto.

Desliga o telefone, liga a TV e o rádio ao mesmo tempo. Relaxa. Abre um livro, folheia e a letra é muito pequena. Dá sono. Desanima e procura um gibi qualquer. Ouve um barulho de fechadura sendo forçada. É agora ou nunca.

SILENCIA. ESPERA. SUA. FINGE ESTAR DESRAÍDO. SUSPIRA. ANSEIA. CURIOSIDADE. A CASA ESTÁ UMA BAGUNÇA. ABAIXA O SOM DA TV. SILÊNCIO. SILÊNCIO. SILÊNCIO.

Abre a porta. Um bêbado sorri. Nada acontece.

_ Desculpe, casa errada.
_ Andar errado, prédio errado. Nunca te vi na vida.
_ Calma, amigo. Troquei de rua, só isso.
_ Amigo é o caralho. Anda, se manda. Estou esperando gente importante.

O telefone não toca há três dias. Nem engano, coisa nenhuma. Um saco. No bairro, todos se conhecem, se tocam, se ajudam. Pior que interior. Nem vai trabalhar, precisa ler a carta que acabou de chegar.

Carta: s.f. 1. Comunicação manuscrita ou impressa, endereçada uma ou várias pessoas. 2. Diploma. 3. Folha onde se registram o cardápio dos restaurantes. 4. Estatuto, constituição. 5. Cada uma das peças de um jogo de baralho.

Lê e não se interessa. Mala direta das mais banais. Joga fora, bebe um vinho já aberto no gargalo, engole um comprimido. Liga a TV e se arrepende. Está no jogo de novo.

_ Alô, sou eu. Calma, deixa eu falar. É sério. Estou com uma pista. Uma propaganda que chegou pra mim. É sério, é um recado. O assassino quer me dizer alguma coisa.

Primeiro o beijo, depois o número que não existia, em seguida a voz rouca e agora aquele endereço de lava-rápido. Claro, deve ser isso. Não tinha tempo a perder.

_ Nem carro você tem.
_ Fica frio, está vendo aquela mulher. É ela, eu tenho certeza.
_ Não tem ninguém aqui.
_ Ninguém vai aparecer pra você. Pode ser perigoso.

O perigo. O medo é droga, vicia. A adrenalina, correndo na veia, prova que você está vivo. Não precisa acreditar, é até bom que tudo fique em segredo. Não quer ser herói, basta que participe de tudo.

VOLTA. ANOTA. SE ISOLA. EXPLORA CADA DETALHE DO QUE TEM. REVOLTA. FALTA TANTO E O TELEFONE NÃO TOCA. SE ESFOLA. NERVOSISMO DEMAIS ATRAPALHA.

Jazz e vinho barato. Se começou naquele night-club, o segredo é aparecer por lá novamente. Por que não pensou nisso antes?

_ Oi, já não te vi antes?
_ Será?
_ Você me deu seu número, te liguei, acho que anotei errado.
_ Estou sem celular.
_ Eu sei de tudo. Entendi o recado.
_ Paga uma cerveja.

Terceira dose e nada. Já contou da família, já contou do namorado, já disse que quer sair da vida e nada de falar do plano. Como desvendar um crime desse jeito? Pra ser detetive não basta ser astuto, é preciso paciência.

_ Afinal de contas você faz ou não faz parte da organização?
_ Já te disse que isso aqui é provisório. Só até eu me formar.
_ Não se faça de santa. Semana passada, quando me beijou, você queria me alertar sobre algo.
_ Do que voe está falando?
_ O assassinato, o roubo, o seqüestro, não sei ainda. Preciso de respostas.
_ Larga meu braço.

O sorriso. Claro, o tempo todo era o sorriso. Se lhe falasse qualquer coisa comprometedora ali, poderia ser morta. A explicação estava no sorriso. Matou a charada.



 Escrito por alexandre mercki às 09h46
[] [envie esta mensagem]



CORRE. OUVE UM ESTRONDO, UM DISPARO. ARREPIA. FINALMENTE. CORRE RISCO. PODE MORRER A QUALQUER MOMENTO. É PRECISO CUIDADO.

_ Mataram alguém. Acabei de ouvir os tiros. Vem pra cá depressa.
_ São quatro da manhã. Dá um tempo.
_ Aquela mulher. Na janela. Suplica por socorro.
_ De novo com esse papo? Deixa eu dormir.
_ Vem pra cá.
_ Quer um conselho? Você precisa de tratamento.
Abre um tinto chileno. Ela olha com melancolia. Acende um incenso e fecha um pouco a cortina. Ela chora. Faz calor. Dá pra sentir o pânico em seus olhos vermelhos. Está nua e pode morrer a qualquer momento. Adormece. Sonha com os anjos.

AMANHECE. VENTA. ACORDA REVIGORADO. TESTEMUNHA CHAVE. JANELA INDISCRETA. XEQUE-MATE. POLÍCIA DEPOIS DO ALMOÇO. FAZ A DIGESTÃO. VESTE O MELHOR TERNO.

_ Delegado, eu vi todo.
_ Viu o que meu querido?
_ A mulher não apareceu morta? Eu sei quem matou.
_ Que mulher?
_ Meu Deus, quanta incompetência. Ontem, ninguém deu por falta da garota?
_ Olha como fala comigo.
_ Eu estava em casa e pude acompanhar o assassinato de perto. Posso testemunhar, fazer reconhecimento do corpo, do bandido, estou a disposição.
_ Que corpo? Essa foi uma das madrugadas mais tranqüilas que tivemos.
_ O que está havendo? Perseguição? Vão esconder o crime de mim? Eu vi tudo.
_ O senhor deve estar é bêbado. Ontem não aconteceu nada. Ponha-se daqui pra fora.

Sai desolado, atende o celular. É a voz afônica, quase muda. Pára, disfarça, e se alguém percebe? Marca encontro na bodega, ninguém conhece o lugar. Desliga rápido e corre pro local combinado. Adrenalina na veia, melhor coisa que existe.

_ Garçom, vinho da casa, por favor.

As horas e as garrafas passam. Nada acontece. Nem uma alma viva. No jornal da TV, nenhum estelionato, nenhuma rebelião. Tédio. Sono. O sinal do celular é fraco. A mulher passa a todo instante na porta, mas não entra. Todos os rostos são iguais. Paga a conta. O sorriso some. Na rua, o frio. No muro, anhagá.

Anhagá: sm. Bras. Na mitologia tupi-guarani, o espírito do mal, o Diabo.

INSÔNIA. IMPACIÊNCIA. INCOMODO. INJURIA. INCOERÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE, INDIGNAÇÃO. IMPOSTORES. INÚTEIS. INFELICIDADE.

O jornal chega diferente, ele quase não lê. Nada acontece. Pensa em se mudar. Precisa de emoção, selvageria. Vai ao banco, encerra a conta, dinheiro vivo. A esperança é a última que morre. Nada. Lugarzinho horroroso, falsa metrópole, terra de bunda mole. Troca uma fortuna por dólares com aquela garota. Não liga, não pergunta, não quer saber. Os olhos são os mesmos. Alucinação. A adrenalina foi embora. Loucura.

_ Você tem razão, devo estar delirando.
_ Calma, rapaz. Não precisa fugir.
_ Essa cidade não tem emoção. O ódio sumiu. A solidariedade venceu.
_ Do que você está falando?
_ A maldade humana não tem limites. Privar um país inteiro da violência.

UM GRITO. UM ÚLTIMO DESEJO. UM DESFECHO. UM GOLE DE UMA SAFRA ESPECIAL. UM REVÓLVER. UMA IDÉIA E UMA SENSÇÃO QUE NÃO É MAIS A MESM. UM DISPARO. QUEDA LIVRE. UM FERIMENTO E UM FIM MEIA BOCA. UMA MALA CHEIA DE DÓLARES.

Algumas horas depois e o melhor amigo aparece. Pede socorro, fica perdido, desesperado, chama a polícia, tenta ajudar e esconde a valise. Burocracia, discurso, lamento, avisa um sobrinho distante. Morreu de modo estúpido, louco, pobre, triste. Neurose de cidade grande.

_ Oi, sou eu. Preciso falar com você. Encontra comigo.

Na bodega, não pede o vinho. Prefere cerveja. Chega a mulher, a mesma garota de sempre, o sorriso, agora, mais largo. Recebe a boa nova. Está rica. Deu certo. Beijam-se, excitadíssimos. Querem conhecer Praga, capital mundial da arte, coisa de intelectual. Estão livres. O crime perfeito, recompensa.

FIM



 Escrito por alexandre mercki às 09h46
[] [envie esta mensagem]



Post mortem

 

Fase 1: Aceitação

 

Estou muito cansado para escrever. Meu copo de whisky com duas pedras já não mais me seduz. As palavras vagam distantes, quase não as percebo. Quero fumar, mas estou muito cansado. Disperso demais para inventar um estilo literário diferente. Cansado demais para ter sono ou estar cansado. Se ao menos soubesse onde começa ou termina essa história. A noção de meio se perdeu entre frases que só atrapalham. Há muito não percebo o que é metáfora ou o que é realidade. Poderia ter alegado insanidade, mas estou cansado demais para a covardia. Que a tragédia seja o meu fim. Acabou aqui.

 

Fase 2: Depressão

 

Não me arrependo. Não lamente se eu estou aqui. A intenção foi nobre. O que fode esse país é o preconceito. Há limites para a criatividade? Fui atrás de uma boa idéia. Uma ótima idéia. Não quero morrer assim, não quero descansar em paz. Eu fomento a vida, meu nome é caos. Como posso ser deus e meu próprio Judas? Como podem me destruir? Sou todos e não sou nenhum. E o que fiz foi em nome da vaidade, de um ideal muito maior que a arte. O sucesso não vale a minha morte. Vocês precisam de mim.

 

Fase 3: Barganha

 

Volta. Eu mudo o final. Esqueça que me odeia. Eu invento, eu apago, eu redistribuo, eu posso. Eu quero e peço em troca de tão pouco. Deixe de lado o que passou, foram só sentenças em busca da imaginação. Querendo a absolvição. Ver-se livre do mártirio da ação. Não foi assim como você pensa. Esgotei todas as possibilidades. Reais ou não. Verdade ou esquisitice, não cabe a você me julgar. Devo ser admirado pela obra. O que há de errado? Desde quando se discute o processo? Fique com o produto e me devolva a expressão. Há muito o que fazer. As vezes não me abandonam jamais.

 

Fase 4: Negação

 

Nada disso está acontecendo. Nego. Não serei eu o sacrificado. Ninguém nunca vai me pegar. Foi tudo muito bem planejado. A princípio, nunca vi e não me interessa. Os protagonistas me emputecem. Farei tudo pelo coadjuvante, todos pequenos vilões que nos maltratam sem perceber. A morte se fez necessária, só não lê quem não quer. Não me chamaram assassino? De autor a réu, minha história foi entregue ao crime. Não sou o responsável. Nada vai mudar o que eu escrevi. A perversidade intensifica os meios.

 

Fase 5: Revolta

 

Ele morreu, afunde no suspense. Descubra quem o matou. Confunda. Mas se vire para lá. Quem você pensa que é? Coloque-se no seu lugar. Não me olhe assim. Sem mistério não há romance, sem romance não há interesse, sem interesse não há homícidio, sem homicídio não há porquê. Alguém precisava morrer. Matei e mato quantos forem necessários. Tacarei fogo na Roma dos meus versos. Vou incendiar a mesmice. Morra lentamente. Sofra. Quanto mais suspeitos, melhor. Mato e piso em cima. A mim, ele só serve assim, assassinado. Não se apresse em julgar, veja o desenrolar da trama. A reação se fez presente, apenas dei voz à vontade da prosa. Não se condena um escritor. Ao criador cabe os louros ou a derrota. A análise, jamais. Não me faça perder tempo com você. Meu crime perfeito não exige perdão.



 Escrito por alexandre mercki às 22h15
[] [envie esta mensagem]




Histórico
05/08/2007 a 11/08/2007
31/10/2004 a 06/11/2004
03/10/2004 a 09/10/2004
29/02/2004 a 06/03/2004
15/02/2004 a 21/02/2004
01/02/2004 a 07/02/2004
18/01/2004 a 24/01/2004

Outros sites
queiXa
onipresente & onisciente